Dra. Glória Brunetti
Médica Infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas

Ao decidir ser médica infectologista fiz minha residência justamente no Hospital Emílio Ribas, onde se iniciava naquele período da década de 80, a epidemia de AIDS.
Aquela grave situação, em especial na população jovem e ativa, naquele momento ainda sem terapêuticas eficazes, muito me impactou. Como médica concursada pelo Estado, trabalhei também no Centro de Treinamento e Referência AIDS.
Deparei-me com os inúmeros sofrimentos do paciente e com a falta de conhecimento e despreparo de familiares. Muitos sem coragem de retornar para uma visita. A solidão do paciente era algo que extrapolava o tratamento médico, tornando menos eficazes até as indicações de medicamentos. Muitas vezes me senti impotente, mas como profissional, agora estava certa do caminho a seguir.
Em 2000 já como médica do Hospital Emílio Ribas, fui vice presidente da comissão de gerenciamento de trabalhos voluntários, organizando a estrutura do que viria a ser o atual VER. A primeira turma de voluntários foi formada em 2005.
Em 2006, quando o VER foi oficializado juridicamente, ele já contava com um grupo de quase 150 voluntários atuando em onze programas. Todos eles, pessoas vindas das mais variadas atividades: donas de casa, estudantes, bancários, publicitários, educadores, sociólogos, empresários, profissionais da saúde, artistas, jornalistas, engenheiros, aposentados entre outros. Enfim, pessoas de diversas idades, formações, classes sociais, credos e raças. Com o grande propósito de ajudar o outro em situações de vulnerabilidade. Essa diversidade vem contribuindo para o sucesso do trabalho que tem sido feito.
Conforme fui me aperfeiçoando nos diversos mecanismos e ferramentas de gestão, o VER foi se destacando como uma Associação de sólidos programas humanitários, focando resultados impactantes e com retorno transparente, agregando valores à nossa sociedade.